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André Villas-Boas formalizou candidatura à presidência do FC Porto

Escrito por: Xavier Correia

Verificado por: Michael Baker

fc porto

André Villas-Boas apresentou, esta quarta-feira, a candidatura à presidência do F.C. Porto, cujas eleições se realizam em abril, numa cerimónia que juntou cerca de 700 convidados na Alfândega do Porto. ‘Temos coragem de cortar com o ‘status quo’, onde impera o medo e ninguém se pode exprimir livremente’, garantiu.

Com a presença de muitas figuras do clube, como Jorge Costa, Nuno Valente, Helton, António e Ricardo Sousa, entre outros, o antigo treinador dos dragões apresentou os pontos-chave da candidatura, que tem como lemas ‘Só há um Porto’ e ‘Um Porto de Todos’.

O evento, apresentado pelo ator e apresentador Pedro Teixeira, começou com um aplauso especial a Cecília Pedroto, viúva do mestre José Maria Pedroto, seguindo-se, também uma ovação a Pinto da Costa, quando o ator referiu o nome do presidente dos dragões nos últimos 41 anos.

Depois da apresentação de um vídeo com alguns momentos marcantes das principais conquistas do F. C. Porto, chegou a altura de André Villas-Boas discursar para a plateia, com o antigo treinador a anunciar os grandes objetivos da candidatura à presidência.

‘Sou candidato à presidência do F. C. Porto. É um momento de grande significado para mim, de grande portismo, um passo para o qual me preparei para ir de encontro às vossas exigências. Um passo de grande responsabilidade, tomado em consciência e só com um propósito: servir o F. C. Porto’, começou por dizer o candidato à presidência.

‘Gostava de começar com uma citação do eterno portista, José Maria Pedroto. ‘As vitórias nascem da capacidade de construir ou, se necessário, reconstruir, deixando que outros assumam esse papel. A história não é benevolente para quem não conhece a sua evolução’. Estamos e estaremos para sempre gratos a Jorge Nuno Pinto da Costa. Será o presidente dos presidentes, mas é tempo de mudança. É tempo de o F. C. Porto se lançar para uma nova fase da sua vida e construirmos um futuro ainda mais ganhador, sempre com ética e transparência’, prometeu.

‘Neste momento não somos capazes de construir valor, crescer enquanto clube, propagar a nossa cultura, construir equipas competitivas e cimentar o associativismo que tanto nos orgulha. Parecemos capturados por um conjunto de interesses alheios ao F. C. Porto, interesses que ferem a instituição. Nos últimos 10 anos, o F. C. Porto encaixou mais de 700 milhões de euros e, em 2015, fez o maior contrato de transmissão televisiva. Temos um passivo de mais de 500 milhões e uma dívida acima dos 300M€. As nossas contas entraram em descontrolo. Vive-se agarrado, por gratidão, a uma gestão sem rumo e sem nexo’, criticou, antes de apontar o dedo à atual direção portista.

‘Há conflitos de interesse que parecem prevaricar contra os estatutos do clube. Não temos academia de formação, nem centro de alto rendimento, promessas eleitorais antigas e que ainda o são. A comunicação com os sócios é inexistente e, a três meses das eleições, estão a ser tomadas decisões estruturantes que podem por em causa o futuro do clube nos próximos 15 anos. Está uma das empresas do F. C. Porto a ser vendida a um fundo norte-americano? Se sim, porque não sabemos nada? São inúmeros os jogadores a sair a custo zero, inúmeras as contratações falhadas. Será por interesses alheios ao F. C. Porto? Estamos a chegar mais tarde aos talentos, onde éramos uma referência mundial, sendo ultrapassado pelos nossos rivais’, defendeu.

‘Está na hora de mudar. Tenho as minhas raízes familiares ligadas à fundação do F. C. Porto, o que muito me orgulha. É minha obrigação estar disponível para este momento de mudança, fui funcionário do clube e estou consciente das responsabilidades que isto acarreta. Dedicação máxima, profissionalismo e pôr sempre o F. C. Porto à frente dos interesses pessoais. Quero estar à altura da responsabilidade. Apresento esta candidatura para devolver o clube aos sócios, com a coragem de cortar com o ‘status quo’ existente, onde impera o medo e ninguém se pode exprimir livremente, onde ninguém pode dizer o que pensa sem ser ameaçado’, defendeu.

André Villas-Boas anunciou que os nomes dos candidatos, da lista que encabeça, à Mesa da Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal serão conhecidos na próxima semana, avançado que as pessoas em causa estavam presentes na Alfândega, e revelando que vai apostar na criação do futsal – ‘nos escalões de formação para começar’ –, criticando a escolha da Maia para a construção da futura Academia do clube, tal como foi anunciado por Pinto da Costa, revelando que prefere optar por Vila Nova de Gaia. ‘Há terrenos bem perto do centro de treinos do Olival, que não nos deixam dependentes da hasta pública que vai ser realizada com os terrenos da Maia’.

Responsável Editorial